quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Vaincre

Je t'avais dit
qu'un jour je t'écrirai
mais je n'ai pas écrit...
Je n'ai même pas pensé...

Je t'avais dit
demain chez toi j'irai,
mais je suis resté dans le lit
sans envie de me réveiller...

Mais maintenant
je veux les murs casser,
je veux les tombeaux ouvert
et tout chercher
sans rien découvrir.

Dans un profond sommeil
sans voir plus le soleil,
je me couche et je me cache
sur mes regrets
mes secrets.

Là j’espère ton appel,
ton toucher,
ta respiration,
ta vie,
toujours dans mon lit
sans ouvrir les yeux.
Je ne veux pas pleurer,
je ne veux pas sourire,
je veux t'étreindre
jusqu'à mourir!

Maintenant je veux t’écrire!
Maintenant j'ai tant à te dire!
Mais toi, tu ne sais plus lire
et la tristesse
est ton adresse,
et mes larmes sont mon encre,
que je peux pas effacer,
je ne pourrai jamais vaincre.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Príncipe

Muito mais que um nobre príncipe.
Tem como reinado o meu coração.

Enquanto esfrega um olho
rouba para si todo o meu amor!
Enquanto arreda o cabelo
afasta de mim o pior!

Rouba e devolve
o meu fôlego.
Rouba e não dá de volta
a poupança a que me desapego!

Põe-me pobre,
põe-me rica,
põe-me feliz!

Ele tira de mim
mas sempre fica
a vontade de ser
roubada de novo!

Soa estranho?
Mas é genuíno.

Beleza que abomina!
Olhos de pérola selvagem,
minha eterna paralisia!
E esses sorrisos que fazem
abastecer a alegria.

domingo, 13 de agosto de 2017

Eternizo



Olhar para ti é uma aventura,
cada tique, cada toque,
cada gesto de ternura,
sabes que me deixa em choque.

Enquanto dura eu eternizo,
cada sombra de sorriso,
cada ar de atrapalhado,
ou o ar de seguro.
Olhos que provocam,
os meus braços para os teus chamam.
E eu não os seguro.
Esse azul leva-me na corrente,
não podia ser diferente,
como a tua pele imune a rugas,
os cabelos lisos e fortes
que eu quero acariciar,
da tua cara desviar
e prender na tua orelha
até ficar velha.

Na ausência
tenho a presença do passado.
Na presença
tenho um sonho realizado,
também eternizado.

Eternizo
porque preciso.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Plano Z

Olá.
Sou eu, o teu plano Z.
Uma vez vi-te chegar ao P
e não pude conter o entusiasmo!
Mas logo retomaste ao A,
e senti no coração um espasmo.
Não pasmo,
continuo à espera de passares o D.
Em dias de sorte vais até ao T,
mas ainda faltam algumas para o Z.

Um dia conseguirei tal meta?
Na hora correta,
num dia desocupado.
Quem sabe se num feriado?
Onde haja tempo para gastar
e a todos os planos chegar.

Sou aquela que nunca te alcança,
o plano C da desilusão,
o plano B da esperança
e o plano A da solidão,
mas o teu é que eu queria ser!
E sou, mas apenas teu plano Z até morrer.

domingo, 14 de maio de 2017

Alzheimer

Today was meant to be different. 
Today was meant to be better. 
It was not to be urgent 
this tremulous letter, 
a request for help, 
one last search, 
one last chance 
to change 
the tears of the heart 
rolling through the chest, 
such is the fear 
to have it all lost!

Lost is the word.
Lost is my world 
with crushed countries 
ripped trees, 
rivers of blood, 
muddy seas.
 
I can swim in them,
they're in better condition,
they can give me a lesson.
Teach me please,
How to start the ignition 
Of Alzheimer's disease!

sexta-feira, 7 de abril de 2017

À espera

Ancorada ao passado
numa âncora só tua,
no fundo do oceano, com o coração cortado
lembro-me que fui uma
e agora sou apenas metade,
quase constituída por apenas saudade.

Prendeste-me involuntáriamente
e eu não quero sair da tua beira,
não te apercebes da minha prisão
e eu quis ser tua prisioneira.

Como dizer não?
Como seguir e esquecer o meu grande amor?
Devo ficar aqui imóvel ou tentar desenterrar-me?
E como recolher a âncora
se eu estou só e sem forças
neste oceano cheio de pedras brancas,
ferrugem, lodo, alucinações e lágrimas?

Não saio.
Não vivo agora.
Sofro sem cura.
Mas estou na melhor âncora.
Na melhor jura
de ficar para sempre aqui,
à espera da tua espera por mim.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Bem essencial

Só  mais uma vez,
prometo.
Agora vou concentrar
todos os meus sentidos para recordar
eternamente
o momento na mente
sem incomodar
pedindo que aconteça mais e mais.
Só mais uma vez,
prometo.
A não ser que queiras repetir,
por pena ou vontade,
amor ou falsidade,
ainda assim será  de qualidade,
porque a fantasia é  superior à realidade.
O amor tudo transforma,
tudo permite,
e eu sou a croma
de esferovite
que deixa que me desfaças em bolas frágeis
que o vento só pode roubar
e fugir com os restos mortais
impossíveis de colar.
Impossível de calar
a música que não é nossa,
é de mim para ti.
As recordações que não são nossas,
são minhas de ti.
Mas talvez mais reais que muitas por aí.
Torno real e acabo acreditando
que tudo isto não sou eu meditando.
Amo por ti e por mim,
assim fico ganhando
e sei que não terá fim.

Se eu te perder
não sei se irei rever o amanhecer,
ia perder o emprego, os amigos, a alegria,
porque está tudo pegado a ti como um hímen
e ao te ires a bússola atrofia,
só o blog abundaria
de cartas inconformadas.
Preciso muito de ti!
Levem o ar!
Acho que me serves mais.
Esgotem as fontes!
Minha hidratação vem de fontes especiais.
Envenenem a comida!
Tenho outros bens essenciais.
Privem-me do sol!
Teus raios são mais reais.
Sou fácil de sustentar,
apenas me deixem amar,
não me roubem a minha vida externa,
não  me tirem a última cópia de segurança.
Para quê dar-me o nome de interna
numa sala sem esperança?

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Não vou parar!

Seja eu quem te roube
os sorrisos de maior fama.
Seja eu cinza ou corpo podre,
eis quem te ama!
Seja eu alguém que apenas já não tem ação,
mas nunca desejou o fim,
só não teve força para pressionar o travão,
que não existe, é mesmo assim.

Mas serei a neve teimosa  que ergue o escudo contra o sol,
que quer ficar colada na sola do sapato,
ou esconder-se na poeira do chão
que vais pisar sem noção
mas estarei lá,
não para vigiar
mas para poder continuar
com um motivo para pôr o diafragma a trabalhar.

Vou amar-te até ninguém saber quem sou!
E mesmo que esqueçam quero continuar.
Preciso de razões para a luz do sol ainda brilhar
e trazer de volta o que ela roubou.

Vou-te amar até esgotar o mundo!
Até cansar a humanidade com as minhas declarações!
Até eu virar um caso de estudo,
mesmo que digas que não há razões.
Nunca verei assim.
Nunca poderei permitir que me esqueça de ti.

Vou amar-te até o coração doer!
E mesmo doendo não vou parar!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Fica por perto

Somos chuva na terra,
chuva no mar,
que evapora mas rega
e tenta sarar,
mas não pode curar.
Não pode fechar
dores nunca abertas,
profundas e inalcançáveis.
És o bálsamo delas,
eu julgo que sim,
e que só teus braços memoráveis
podem abraçar assim
de uma forma curativa
com uma sensibilidade criativa
que me alivia,
dá paz e sintoniza.
Mas é tudo tão vasto,
tão escasso
e tão insuficiente...
Não se pode eternizar,
às vezes nem repetir,
só aceitar o que sobra
sem insistir,
com os vultos do pensamento
que a saudade cobra.
Será que aguento
esta cobra
a morder-me o coração
até ao momento do replay?
Se houver.
E aguentarei a emoção
nesse dia perigoso
onde te vejo dizer "Cheguei"
com o sorriso vitorioso
a que tanto me apeguei?

Fica por perto,
convida-me para um café
um dia por ano,
um dia por mês,
mas fica perto!
E deixa-me com fé
de que um dia por ano,
um dia por vida
me darás a mão
até ser preciso
e aí sem qualquer engano,
e no teu olhar perdida
terei alugado um sorriso.



quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Fora desta vida

A expectativa.
A ilusão ansiada por realizar
ultrapassam os receios de algo falhar.

Por mais que a vida queira desvitalizar-se
eu hei-de arranjar forma de fortalecer.
Deixá-la deixar-se
levar pelo vento que me quer arrefecer.

Quer e sabe-o fazer.

Sem ti não sou nada,
és certamente o combustível.
De durona malcriada
passo a super sensível.

Tanta dependência
só pode ser deficiência
da tua vitamina.
Exacta ciência
que sabe e domina
o meu ser.

Quero fazer do teu mundo o mais redondo!
Da tua paisagem a mais colorida!
De cores que eu só encontro
fora desta vida.
Mas posso todo meu dinheiro romper,
bem como toda minha roupa e andar despida,
que a ingratidão é tanta e continuaria a ser.
Posso construir-te um castelo,
doar a minha vida,
mas simplesmente nunca será suficiente.

Ainda assim  insisto enquanto posso.
Não é cegueira, é ver e aceitar,
mas mentalizando que nunca será nosso.
Nunca saberás como eu seria leal,
mas eu sei.
Seria lindo, e ainda pode ser,
mas não precisa ser real.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Pura maldade


Ver-te afastar é doentio,
ver-te diminuir no meu campo de visão,
fugir para perto da distância
negra do frio
que abana o coração
e atiça a ânsia
de chorar como se fosse definitivo.
Um adeus não tem nada de positivo,
nem mesmo o facto de ainda se estar vivo.
Eu invejo os mortos!
Invejo a paz e tranquilidade,
a falta de conhecimentos,
a abundância de ignorância.

Viver é pura maldade.
Ver outros partir,
não poder sair,
não poder agarrar.
É deixar que nos arranquem o coração sem anestesia.
Não lutar, não espernear.
Assistir e aplaudir a própria morte.

E o que seria feito da minha herança:
O amor que tenho para dar?
Não pode servir para as minhocas engordar.
Leva-o, conserva enquanto durar.
É de qualidade, então deve dar para uns anos,
que ele faça o que eu não fiz,
que diga o que eu não disse,
mas que não invente o que eu não sou.
Que te ajude a continuar feliz,
e te lembre que eu até sou,
mas não como quis.
Tenho que juntar os pedaços
para ter algo inteiro,
mas sempre desfaço-os,
deixo cair o tinteiro,
borro os rascunhos de felicidade,
e estrago o dinheiro,
que já era pura falsidade.
Mas vou guardar-te muito bem,
onde mesmo que transplantem não estarás lá.
Pensei e queria que durasse para sempre,
por mais que tente,
talvez seja um para sempre com pausas a mais.
Não deixes pausar quando vais,
da realidade sais
e voltas à ficção.
É pura maldade,
não sei se sabes,
mas pode dar pena de prisão,
deixar uma ferida num puro coração.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Sem contratos

Sentada nas minhas memórias.
sentada lendo histórias
sem as poder apagar,
mas nem sabendo se o quero fazer,
só  lamento não ter a opção.

Sentada nas linhas divisórias
querendo viver
mas vejo sinal proíbido.
Queria te ver,
mas não deve ser permitido.
Tudo está restrito!
O ar também é  esquisito,
podias vir e purificá-lo,
tornar o meu dia bonito,
fazer-me amá-lo
como amo esse sorriso
que não pode ser mais do que a razão do meu,
não pode desabar o meu
nem tornar indeciso.

Quanto vale um minuto teu?
Um abraço, um beijo?
Valor incalculável?
Arranjarei.
Quanto o humano está disposto a pagar para amar?
Depende do tamanho do amor,
mas vai até à própria vida.
Não é simples investida,
não é ilusão vestida,
nem apenas razão para ficar entretida.
É necessidade para ficar viva,
para ver utilidade nos sentimentos,
para mostrar que todos os momentos
são e serão os mais puros,
mais prioritários,
de sentido único.
Os mais solitários,
mas os mais fiéis.
Os mais persistentes,
os menos aproveitados,
mas ainda assim
os mais procurados,
sem serem achados
porque parecem camuflados,
no entanto bem à frente do nariz,
plantados com já forte raíz
alimentada de falsa água
mas ainda assim hidratada,
forte e profunda,
não lhe falta nada,
só até ti uma estrada.
Até lá só há desencontros,
"olás" que eu mentalmente digo,
mas ainda assim eu afirmo
que amo-te sem contratos nem descontos.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Acabar com o ciclo

Saltei para as rochas.
Julguei que os orifícios iriam ser fiéis.
Que as arestas iam cortar ou tornar roxas
nódoas e hematomas  desbotados com pincéis
agravados com a repetição
em diversas partes do corpo
que a cada 'ai' fecha os olhos,
pensa em perdão,
mas pensa pouco,
quando abre vê que afinal
só resultou em alarido da multidão,
uma história triste para contar,
uma desculpa para dar,
um passado para enfrentar,
uma consciência para carregar.

Refiz os cálculos.
Desta vez nada falharia,
mas faltou o impulso no momento,
falou alto a saudade que eu teria
de te ter mesmo que só no pensamento.

Eu não quero tudo da minha maneira,
só quero um pouco de paz,
eu sei que a solução não está no sono profundo,
mas de viver nem sempre sou capaz.
Mas é possível não viver estando vivo,
ficando aqui no cubículo
à espera de finalmente acharmos ridículo
e querermos acabar com o ciclo.
Mas viver é para quem tem vida,
e de momento procuro a minha.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Fases

Eu até dava a minha vida,
mas seria insuficiente.
Pergunto-me se alguma coisa é suficiente...

Mas afinal são fases,
simples frases.
E tu não fazes
a mínima do que sabes.

Por isso, mesmo que tudo dê errado,
com todas as estratégias e
todos os esquemas,
nunca será um passado.
Não um passado terminado.
Recuso-me a aceitar!
São fases que acontecem, é normal.
Mas é um passado que continuará.
Um passado para o futuro empurrado
como um carro sem combustível que irá
rolar com a minha força braçal.

Vale a pena gritar!
Emudecer se necessáro,
grito que te amo,
nunca poderei sentir o contrário!

És tudo o que nunca procurei,
tudo o que nunca achei merecer,
mas uma vez na minha mão,
não posso deixar morrer.

Vou aguentar a fase assim
e se no final desta estiver outra,
já encomendei mais paciência,
o stock não terá fim,
o problema não será esse,
mas arranjarás outro de tua preferência.
E cá estou eu pronta para desafios!
Não posso dizer que não mereço.
Afinal amar é grátis,
mas tem sempre o seu preço.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

É uma cura


Ele acalmou agora.
Ele sabe que é bom estar contigo.
É bom sorrir, sentir-me um ser vivo,
uma criança
sem horário de ir deitar.
Qualquer simplicidade que se faça
é motivo para valorizar.

Está aqui um tesouro.
Uma coisa por muitos procurada,
eu reconheço, e esforço por manter.
Isto envergonha o ouro.
Pertence-me e não me deixo ser roubada.
Se tiver de lutar hei-de fazer.

São necessidades,
não são caridades.
Não há outra forma de viver
senão com esta constante preocupação,
pensando em surpreender,
em trocar as voltas à normalidade.
E ver os frutos,
os sorrisos, a alegria...
Sim, isso é uma cura.
Também às vezes loucura,
mas enfim, faz bem sermos loucos.
E não somos assim tão poucos.

Aguardem-me.
Ainda não acabou.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Je t'aime

Even tired, I sit here
and think of you 'til I get a smile or a tear.
How good was to have you near!
You know? I still imagine you'll appear,
sit and say something in my ear.
Anything. I just want your voice hear.
Say it loud and clear.

I'll always be a volunteer
to preserve you and every souvenir.
Maybe that makes me our engineer.
I hope to have a long career.

Let's go to every frontier
and have fun until I disappear.

Never give up on me, I love you,
even if I got mad, I love you,
and if I got amnesia, I love you.
Never leave me alone, I love you,
never throw me away, I love you
don't do this to me, I love you.
Yes I'm very strange, I love you,
every time I see you, I love you,
even when asleep, I love you.
If you see me dead, I love you

I just cant know how much I need you

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Não houvesse amanhã

O vazio do cansaço
enche-me as forças.
Um simples laço
faz-te uma forca
onde a profundidade do teu olhar
dá-me a pista
de que para amar
não há uma lista
de tarefas obrigatórias,
mas sim impulsos que levam a vitórias.

Queria amar como se não houvesse amanhã!
Mas há, e esse amanhã é cruel,
vai-me deixar de joelhos a chorar,
de braço esticado a implorar que não vás!

Queria amar como se não houvesse amanhã!
Mas esse amanhã é fiel,
vai vir e tudo levar,
tudo até a minha paz.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Está a esquivar


Elas me apertam.
Elas querem sair a todo custo!
Elas não se importam
se é ou não justo.

Elas como que esmurram a porta
sem medo de arrombar.
E ao ver-me sem escolha,
deixo-as rolar.

Não sei se rolam,
ou deslizam,
a fim de se divertirem.
Não sei se molham,
ou apenas traçam,
um caminho para fugirem.

O stress tomou conta de ti.
O coração? Um descontrolado.
Deixa a vida ficar sem rumo certo.
Tudo é precipitado.
 
Faço o que tenho de fazer.
O resto? Só se me apetecer.

(O problema é não apetecer nada.)

Mas o tempo cura tudo!
Ou deixa tudo expirar...
E de mim ele está a esquivar.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Medalha de ouro

Sem querer ser aborrecida,
mais uma vez venho ao confessionário.
Numa vã tentativa
de refrescar a ferida
que nunca fecha, no armário
do peito sufocada.

Talvez tenha havido sinais
e eu não reparei,
e talvez até tenham sido mais
que os nãos que eu apanhei.
Eu não sei ter todo esse orgulho,
esse amor próprio
que nos faz ter medo de sofrer
e recusar tudo que será desvantajoso.
Não sei saltar o muro.
Nem sei se prefiro.
Vou sentar-me e aprender
a ter algum repouso.

Que saudade de acordar
e achar tudo maravilhoso,
ouvir a mãe brigar,
mas não é nada de novo,
nada me deita abaixo,
nada me faz explodir,
aguento bem com tudo e a sorrir.

Talvez tudo tenha esgotado,
talvez eu precise fazer uma loucura
que me mostre por um bocado
que eu estou viva, e está na altura
de reaprender o que é ser retardado.

Realmente o amor cura tudo,
até o incurável.
O amor filtra o mundo,
torna o ar respirável.

Por uns momentos atravesso a ponte invisível,
voo pela incerteza,
mas voo para algo bom.
Minha teimosia invencível
vence a certeza,
mas o que importa é que eu estou com
a melhor expetativa,
a melhor intenção,
o maior sorriso.

E se tudo não acontecer,
não foi em vão.
Se a expetativa morrer
hei-de enterrá-la no alcatrão.
Vão dizer "eu bem avisei,
agora vê se aprendes a ter noção",
mas tenho o triunfo de que tentei,
tenho a medalha de ouro no coração.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Timing










Espera...
Então tu pensavas que eu ainda estava à tua espera?

Ninguém pode dizer que eu não tentei,
mas podem atualizar que desisti.
Ou pelo menos parei de esperar,
mas se por acaso o encontrar
não viro a cara nem mudo de passeio,
mas esse dia chegar
eu não anseio.

Deve fazer parte da vida saber dizer: Chega!
O timing talvez nem sempre seja o melhor
mas nós fazemos aparecer um dia.

A escuridão também cega
não é só a luz,
e depois de tanto tempo no poço
ela não me seduz.

Dei um soco ao meu sorriso,
pus alcool nas feridas,
pontapeei o que mais preciso,
atirei ao poço as minhas recordações favoritas,
gritei até aperceber-me que perdi o juízo,
e despejei as minhas lágrimas mais líquidas.

Mas e agora?
Seria assim tão estranho
pedir pra ficares?
Soará tão estranho
pedir para me amares?

Se agora é assim, será diferente depois?
Avisa-me, dá-me um sinal,
eu vou desistir de insistir,
mas não vou esquecer que existes
e me fazes querer existir.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Medo

Tenho medo do sol
que me está a queimar
tenho medo e só
tu podes me curar.

Tenho medo de tudo
o que possa acontecer
tenho medo do mundo
em que estou a viver.

Tenho medo de um dia
te esquecer
tenho medo e queria
nunca o ter.

Eu tenho medo do medo que tenho.

Tenho medo do escuro
pois não consigo ver
tenho medo e estudo
como o vencer.

Tenho medo de estar
onde tu não estás
tenho medo e vou ficar
com muito mais.

sábado, 21 de novembro de 2015

Há-de ter um fim

Se todas as histórias,
todas as memórias
fossem agora contadas
e todas as cartas lidas,
cheias de feridas
fossem desculpadas,
eu teria ainda um motivo.

Se todas as provas,
todas as amostras
fossem agora mostradas
e todas as estradas erradas
percorridas com as baladas
fossem desculpadas,
eu seria ainda um ser vivo.

Mas como está é como vai continuar a ser.
E como quero não vai acontecer.

Roubaram a minha identidade,
o meu cérebro e o meu ar,
eu deixei-os à vontade,
sem seus desejos dificultar.

Deixo meu sorriso se inverter,
há-de ter um fim.
Mas não vou ser
como os que são para mim.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Deixar de ser

Tenho de deixar de ser egoísta.
Para mim é bom estar contigo,
mas depois será maior por mim a tua afeição.
A solidão terá de ser a minha conquista.
O sentimento torna tudo pior
e a minha alegria resulta na tua ilusão.
Eu não vou por muito tempo durar,
então para quê brincar?

Quero dizer-te que nada mudou
no meu íntimo.
Mas ficar só com recordações
é o melhor a fazer.
Desde que seja para o teu melhor
o amor sabe quando tem de sofrer.
O amor sabe quando tem de agir,
calar e suportar.

Porquê?
Só porque sim.
Só porque é inevitável.

Deixa a distância ser gradual,
não repentina com cena fúnebre.
Não quero isso. Não tenho esse direito.
Deixa a relação ficar banal,
enfadonha e facilmente substituível.
Que possam esquecer-me aos poucos,
e eu me torne uma mera perda estatística.

Eu tenho fotos,
do que me queixo?
Eu tenho fotos!
Posso revivê-las facilmente,
sem obrigar os outros a sofrer.

Deixar-me ser passado antecipado.
Apenas uma que já foi importante,
mas curiosamente,
agora que se fala,
já nem faz falta!

Se já lamentei quando isso acontecia
agora peço que aconteça.
Deixar de ser,
só porque tem de ser.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Cansa

Afinal cansa.
Respirar manualmente,
raciocinar apressadamente,
fazer aquilo que mais gostas.

Ser valente quando não se é, cansa.

Cansa virar costas ao cansaço
e não ficar apenas à espera do último suspiro.
Cansa seguir-te de longe o rasto
quando a teu lado estar eu prefiro.

Afinal cansa,
amar exaustivamente
o que nem um minuto a teu lado descansa.

Afinal cansa,
a rotina de esperar um sinal teu
e que sejas meu.

Cansa mas não desisto

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Vapor

Mais um último olhar,
só para averiguar,
que esperas por mim,
que teus olhos são reféns
da ânsia que de mim mantens.
Que ainda na tua bagagem,
para mim há amor,
que farei parte da tua maior viagem
e o medo de perder-me conservas sem bolor.

Medo infundado.
Eu nunca fui para tão longe
que não pudesse te abraçar
com palavras e olhares.
Coração descuidado,
deixa hoje
o ontem passar
sem nada para relembrares.

Não estou preocupada
em ser encontrada.
Perco-me ao tentar te perder,
mas sei que estou perdida contigo.

Teimo em te obedecer,
em parte é para isso que vivo.

Venço ao tentar dar-te vitória
mas nunca quis para mim a glória,
mas a oferta de te amar
não sei recusar.

Os meus pensamentos são frágeis ,
tanto que deles perdi a noção,
e do seu rasto, só sobra vapor.
Todos os roubos são grátis,
mas roubaste o meu coração
e pagas-me ainda com o teu amor.

sábado, 19 de setembro de 2015

Se duvidas

As coisas vão mudar,
vais acabar por aprender,
as pessoas vão ter mais arrogância no olhar.
Se duvidas continua a viver.

Pouco resta-me,
mas enquanto posso vou ser o airbag
se tiveres um acidente,
o teu favorito snack,
quando quiseres afiar o dente.
Se duvidas testa-me.

A morte agarrada a mim acha segurança,
sou forçada a habituar-me a dar-lhe a mão.
Quando rejeito e teimo em viver
há outra armadilha direccionada,
proteger-me é em vão,
mas poupa a imaginação,
que eu estou aqui e sou uma presa fácil
presa à inutilidade como um fóssil.

sábado, 29 de agosto de 2015

Frases especiais

Porque a minha vida não se resume a dizer coisas bonitas aos outros, mas também a recebê-las, deixo aqui convosco parte, de uma coletânia das frases mais bonitas e que me fazem sentir especial, obrigado a todos! Não mencionarei nomes.


Amigos:
"Bah, queria falar cnt não, não tenho nenhuma coisa especifica só saudades ^^
Não há um dia que passe que me arrependa de te ter conhecido, mesmo sendo apenas pelo facebook xD
A minha primeira grande amiga k gosto sem nunca te ter visto
Não há presente melhor do que uma boa amizade e neste caso esse presente és tu.
Nunca pensei que em tão pouco tempo pudesse conhecer tanto sobre um pessoa, principalmente, sendo uma pessoa que nunca ví em toda a minha vida. E apegar-me a essa pessoa, que apenas conheco pela internet, é algo que também nunca esperava.
Comecei a sentir apego a ti desde a nossa primeira conversa
A medida que o tempo passa, vamos caminhando ao longo da ponte até nos encontrarmos um dia, dia esse que chegará depressa, espero eu.
Algo que tu não sabes, e que te vou contar, pensas que és minha amiga, e é bem verdade, mas mais do que isso, depois de te conhecer, fiquei com... não sei explicar ao certo, com mais força. Ao ver como és esforçada para fazer as coisas certas, isso também me dá força a mim para eu fazer as coisas certas também. E penso: ela pensa tão bem de mim, se ela me visse agora iria ficar bem desapontada, e em vez de fazer o que queria fazer, faço a coisa certa.
Gosto imenso de falar contigo, hoje durante o dia pensava, será que ela está on? E este dia levou mais tempo a passar que os outros... Penso também quando o meu pai voltar, sei que irei sentir muita falta de falar contigo como antes, mas ainda assim espero podermos falar bastante.
Verânia Aguiar, que aos poucos e poucos foi conquistando a minha amizade... Se calhar não só aos poucos e poucos, mas sim, aos muitos.
Nem imaginas como agradeço a Deus por isso
Espero um dia poder ouvir-te tocar e cantar, pessoalmente, ouvir a tua voz, o teu riso, ver-te sorrir... Sem tristeza alguma que possa anoitecer o teu dia.
Gosto da tua alegria contagiante, gosto quando te sentes á vontade para me contar coisas que normalmente não contarias, gosto de quando venho a net e sei que provavelmente te encontrarei cá, gosto quando me fazes perguntas dificeis e me mandas contar até mil.... E penso que já passei dos mil.
Querida amiga, para concluir posso dizer que podes contar sempre comigo quando precisares, e queria dizer-te também, que gosto muito, muito de ti, mas isso já sabes.
Desejaste td de bom para mim e para os k me fazem feliz, nesse caso desejaste td de bom para ti tbm^^
Aumentei em salto nos teus fãs pessoais
Era o k eu faltava ir aí e não fazermos nd juntas
Sabes que gosto imenso de ti  espero que nos voltemos a ver, sei que não em brev, mas num futuro mt proximo
Acabei de falar contigo e já tenho saudades
Gostei tanto da  tua surpresa, o tal video que me fizeste, foi a primeira coisa que fui ver, ri-me e fiquei comovida... simplesmente lindo
Primeiro pensei numa ave, assim voavas para ca e vivias no meu quintal, ou entao transformava-te na estrela da manhã que é a mais brilhante das estrelas visiveis e nunca desaparece
Bjs gordos...vou sentir tua falta
Axo k foste a unica estranha entre aspas com quem falava como falei cnt
Akilo das perguntas foi só uma coisa k me passou na cabeça pra ter tema de conversa mas dps ficou mt fixe e fui gostando cada vez mais... há parte no meio de td k não é bem explicavel simplesmente gosto pk é facil e fixe gostar de ti^^
Se amar é odiar ya adeio-te mt
E mesmo q n te possa animar tens de saber q tou sempre aqui E quero q fales sempre cmg Pk seca é se deixares de falar
Mas fico contente se posso de alguma forma ajudar pra teres mais felicidade na tua vida
E podes ter certeza q tbm es essencial na minha

Eu disse que eras a melhor
Verânia minha best!
As vezes de uma pequena amizade se forma a maior alegria de sempre :)
Praia grande, grande em memórias e histórias, grande em momentos e tormentos, pegada funda como a nossa amizade profunda! :)
nao és "uma pessoa kualker" k ta mal e eu digo ha de passar
tenho 14 coisas obrigatórias para fazer, uma delas passar o dia contigo
Best Friend melhor amiga com quem sei que posso confiar a 101% para a vida toda
Há muita coisa k faz lembrar mas ao mesmo tempo não há nada k me faça lembrar porque eu lembro-me de ti pk já está enraizado... Percebes?

És o meu orgulho!


Leitores:
O mundo precisa muito de pessoas iguais a você.
Deixa-me que te diga que és profissional no que fazes. adoro o teu jogo de palavras, que transformam as tuas criações numa melodia tão bonita
Belas frases precisas de uma escritora de textos desconcertantes.
Amiga a tua inpiração é enorme, fico pensando de ondes a tira. Escreves muito bem e colocas teu humor em tudo."

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Estrada da inutilidade

Portas fechadas,
eu sempre encontrei,
e a teimosia é que as abriu.
Sozinha na estrada
eu sempre me virei
até mesmo quando o azar me sorriu.

Na ponta da ponte
ou na ponta do muro, tanto faz!
Desde que não me encontre
num lugar sem paz.

Na estrada da inutilidade,
onde dou voltas infinitas
com a minha inútil idade
que nada garante
nas horas aflitivas.

É na inútil estrada
que existe por existir,
e quase deixa os outros sem existir,
é lá que eu preciso desistir
de persistir em ir.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Com defeito












Tenho esperança no mar,
que ele me traga pedaços de ti.
Sim, milhões.

Células mortas que eu quero ressuscitar,
no mundial mar,
cheio de recordações.

Como se abundasse em saúde
decidi prolongar a dor.
Só para ela ver até onde aguentava.

Não penses que eu não estou a chorar
Mas é na garganta que está a cascada,
forte, desamparada,
então não me peças para falar.

Sou a cadelinha obediente
que não precisas pagar para treinar,
eu sei obedecer a tudo,
menos ser-te indiferente.

E embora tenha uma maldição,
talvez não seja tão grande assim.
Pois quanto menos viver, menos me arrependo,
menos sofro, menos me iludo.

As máquinas gastam-se ou vêm com defeito,
as defeituosas ao menos sabem que a reforma é para breve,
então porquê invejar as perfeitas?
Vão ser abusadas até ao extremo.

Paro de fazer planos,
afinal, tudo já é um plano!
Entupo de medicação vã,
para ao menos não piorar tão drásticamente
e manter alguma sanidade.

Sorrio, não sei quando será o último dia.
Confesso o que sinto a quem amo,
porque não posso agendar tempo para despedidas
com discursos elaborados.
Eles sabem quem são,
eles sabem quem não são.
Mas nunca é demais lembrar.
Vou tentar lembrar o máximo possível.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

O vazio

Eu fujo,
mas é só para ir para outra prisão.
Eu sorrio,
mas só no intervalo da desilusão.

Pensei que pensar em ti seria bálsamo suficiente.
Mas não sei se aguento,
eu acho que tento,
mas o resultado é deprimente.

Olha, eu já fiz de tudo,
eu também tenho aquilo chamado limite,
o meu mundo rodou
e ele não tinha gravidade,
está tudo caído,
não esquecido,
mas desorganizado,
já não sei onde tenho o tempo guardado,
talvez o tenha esgotado...

Eu queria ser a mosca parada na parede,
a pulga do gato, que nunca te iria morder,
só para ter relativa proximidade de ti.
Mas talvez seja melhor assim,
adormecer sem sonho,
dormir sem ressono.
Dissipar as memórias que julguei inesquecíveis.
Deixar o vazio tomar conta de mim.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Losing


Too many things to say, but closing the mouth.
Too many to write, but no more inspiration.
A lot of hugs to give, but I'm with the wrong people.

Can imagine the world without me,
much better than without you,
but wanting to stay.
We want to live, but like we want,
otherwise we don't.

And I miss the air, the one that you're using.
Breath for me,my brain is confusing.
I'm not imploring a baby or to be a wife,
I only have so much to live, but no life.

Too human to win that.
Too strong to lose, but losing.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Os processos

Tudo.
Leva tudo.
Deixa-me assinar cheques em branco,
deixa-me dar-te o código dos cofres,
fica com tudo.
Nada serve,
nada consegue
senão irritar
com sua inutilidade.

Não esperes o dia das partilhas.
Aproveita tudo!

Eu acho que agora cada pequena coisa tem o seu encanto,
mas não tenho tempo de observar,
não tenho paz para me acalmar,
não tenho o que comprar,
nem que venda tudo o que tenha.

Enquanto uns se preocupam que roupa vestir
e que sombras colocar,
eu preocupo-me em se haverá ar suficiente hoje,
e em sintonizar a minha cara de simpática.

Podiam contratar-me para atriz,
não fosse eu tão memória fraca.
 
A febre infinita!
A escoliose fatal!
A ansiedade banal!
O clamor no deserto.
A lucidez que se atrofia!
A vida eu aperto
mas ela larga-me bruscamente.

Não há nada na minha mente,
eu já não consigo,
e eu já conseguia.

Não é preciso uma roupa nova,
afinal não há festa na cova,
e não tenham pena, finalmente vou descansar.
Ninguém quis tratar
porque não eram os seus,
senão tudo dariam.
Então agora recebam... os processos dos meus.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Prontidão

É engraçado,
(ou não)
a forma como tudo é sempre igual.
Se luto por algo
é certo que não o terei.
Se me distraio desse algo,
é certo que ele nota a ausência de perseguição
e vem ver porque já não é procurado.

Pensei que tinha havido um fim,
mas afinal só gradualmente escondeu-se,
adormeceu devido à dormência,
que as feridas causaram.
Deixei que a agressividade
cobrisse as qualidades que por vezes mostraste.

Eu vi ele morrer,
ou apenas entrou em coma?
O que sei é que vejo renascer
o amor que julguei não mais ter.
Ele às vezes é maldito
e quer perdoar tudo o que foi dito.
Viste-me sofrer e viraste a cara,
eu vejo-te assim e quero consolar-te.
Vou deixar de querer. vou esforçar por enforcar isto
e fazes questão de me ajudar,
sempre com a prontidão de que és conhecido.

sábado, 30 de maio de 2015

Espancado sorriso

Se eu te pudesse dar algo
dava-te a ti.
Algo precioso,
mas que talvez não valorizasses.
E que na verdade, não possuo.

As coisas nunca mais vão ser as mesmas,
mas deixa-te ser a mesma pessoa,
e no que depende de mim,
que sejas tu quem magoa,
não quem leva na cara.

Eu tambem não consigo conter as lágrimas,
os velhos prantos,
mas havemos de chorar em coro
e que toda gota seja o nosso soro.

Dói ver-te assim,
como a quem foi roubada a alegria,
e espancado o sorriso.

Mas nunca interrompas o teu respirar!
Eu preciso que vivas!

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Se não for tarde.

Imagina que estás emocionalmente destabilizada,
e não tens a medicação necessária,
torna-se caro, e afinal desnecessário.
Na verdade estás esgotada por remar contra a rotina
que eles tornam mais sufocante.
Os reais doidos são alguém numa fase difícil,
a doida és tu.
Esqueces que há uma necessidade de descanso,
e quando te lembras  tentas dormir,
mas simplesmente não consegues.
O coração quer fazer um serão.
Sem o sono reparador não renovas as forças,
mas vives um novo dia, com as reservas anteriores,
E dizem-te que tens de fazer mais,
e parece que já deste tudo,
mas deste pouco além do mínimo.

Além da música,
encontras refúgio na amizade,
que faz qualquer piza apetitosa parecer podridão,
que faz provar uma vida com sentido,
mesmo se dentro de meses tudo estiver perdido,
sentiste a alegria verdadeira.
(Realmente as fotos mais estranhas
são as tiradas nos momentos mais felizes.)

Para quê dizer que tens medo de perder tudo,ou que tudo te perca?
Mas fazes um pedido de amizade
ao teu coração.
Foi fiel e só o entupiste,
ele a tentar ver-se livre do lixo que despejavas
e tu sempre a sobrecarregá-lo
com entulho e ansiedades.
Agora ele que diga o que quer,
oferecerás.
Não apresse, nem avague,
fique tranquilo,
tu estás aqui, e vais cuidar dele,
se não for tarde, claro.

sábado, 2 de maio de 2015

Mistura

Saudades da mão,
do pé, do olhar.
De tudo o que é banal,
e só quando ausente especial.

Ter tudo num minuto
e não conseguir pausar,
para poder contemplar esse tudo.
Logo ele se vai,
e muitas vezes nem resta uma fotografia,
uma memória esquizofrénica.

Saudades das noitadas,
totalmente sóbrias,
onde falamos e nos conhecemos.
E agora está tudo disperso.

Há dias assim,
em que somos meros vagabundos
vagueando pelo passado,
mendigando um replay.
Uma falta de algo
que nada substituiu,
uma saudade de dar tudo,
mas sem ter o quem.

Olho pra rua.
Tem uma sombra semelhante à tua.
Talvez tudo parece semelhante quando queremos que seja,
mas nada se assemelha à real presença.

Quero gritar,
libertar a ansiedade
misturada de saudade,
misturada de cansaço,
misturado de esperança.

E deixo-me corroer pelo meu próprio ácido,
com a saudade depressiva sempre a meu lado,
sentimento destrutivo,
ladrão de energia,
típico sentimento de perda.

No fundo eu sou uma mistura mesmo,
que por vezes neutraliza o pH,
de outras acidifica,
torna denso,
e até adoça.
Mas sou tão adaptável que não sei o que de facto sou.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Apressei

Aquilo que eu me esforço para não fazer,
mas querendo,
é aquilo que queres
e pensas que eu não quero,
e então lamentas em silêncio.

Ya, sou culpada,
eu não fiquei
não sei porquê,
não era que não quisesse ficar mais,
não queria era estar ali.
Eu sei, eu devia querer,
afinal estava contigo,
depois na rua estava frio,
tu ainda tinhas tempo,
mas fazer o quê agora?
Ficar ao frio?
Eu apressei a partida...
Estava insuportável,
mas agora...
Dava tudo pela meia hora que perdendo-a, apressei.

terça-feira, 10 de março de 2015

Borracha teimosa

Ainda bem que sentes saudades,
e que queres estar comigo
é sinal que eu mantive-me fiel,
e que isso foi notado.

Ainda bem que eu não deitei tudo a perder,
por fartar-me do ser ignorada e desprezada.
Ainda bem que esperei, 
desculpei e amei.

Ainda bem que eu quis desaparecer
mas não o fiz,
ainda bem que posso ainda por um pouco tempo
estar junto a ti,
e ter um misto de sensações
onde predominam as boas.

Ainda bem que tenho aquela borracha teimosa
que apaga as cicatrizes tuas,
e que me impede de esfregar verdades na tua cara.
Até porque agora estás frágil,
eu não valeria nada se teimasse em querer as justificações
que no passado fiz questão de não pedir.

Deixei as coisas do teu agrado,
quando querias, aqui eu estava,
quando eu queria, não havia alguém,
mas apesar disso eu mantive o sorriso para ti
e as lágrimas só para mim.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Mas quero

Não preciso ficar perto de ti,
a distância é algo que as pessoas nunca impedirão.
Não preciso habituar-me a ti,
o amor é algo ao qual as pessoas nunca se habituarão.

Não preciso dizer,
mas precisas saber,
que a cada dia torna-se mais IMPOSSÍVEL ignorar-te,
de mim apagar-te,
deixas marcas profundas numa pessoa,
profundas, mas boas.

Não preciso mas quero.

Ainda bem que é impossível.
Eu torno impossível.
E gostava de conseguir exigir que nunca para ti seja possível.

Não precisas fazer muito,
não precisas de extravagâncias.
Não, tu não.
Não precisas porque tens-me nas tuas mãos,
agora faz o que quiseres.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Não lamento

Não lamento isso,
ter facilidade em magoar-me.
Se é assim que se ama,
se assim é preciso,
sou orgulhosa das mágoas.
 
Por mais que magoe,
eu deixo doer,
por mais que me doe,
eu deixo-me sofrer,
porque não quero deitar tudo a perder.

No entanto,
entre tanto (ódio)
e entre tão pouco (amor),
é realmente preciso conservar
o pouco que há,
revê-lo,
repetir.

Diz-me que nos próximos 20 anos,
a noite vai-se disfarçar de dia
e que todos os dias estaremos mais unidos,
e faremos o que todos achavam que ninguém faria.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Talvezes

O amor não foi feito para ligar-se a alguém,
não exige amor em troca do seu.

Se me pedirem amor, vão receber,
mas pedem-me algo impossível de conceber...

O buraco maior que alguma bala fez
é inferior a este que colecionei.
Não sabes talvez,
se soubesses impedirias,
farias algo para mudar isso duma vez.
Ou não?

Bem melhor não ter certezas,
certeza do sim traz alegria,
mas certeza do não é bem pior.
Tenho de me contentar com os talvezes.

Eu queria que o amor fosse suficiente,
porque para mim é.
Eu gostava que um sorriso fosse suficiente,
mas só vicia-me.

Quis a ferida temível,
agora aguento a cura.
O amor é uma cura que arde,
mas é infalível.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Não foi por isso


Juntei as pessoas mais improváveis,
os seres mais pouco distraídos,
os de sentimentos estáveis
e de juízos nada revertidos,
mas não foi por isso que deu certo.

Juntei as pessoas mais desagradáveis,
os mais convencidos,
de sentimentos inflamáveis,
com fama de bandidos,
foi exatamente por isso que deu certo.

Juntei as palavras mais bonitas,
os verbos menos vulgares
e os sentimentos mais reais,
mas não foi por isso que passou a fazer sentido.

Juntei as palavras mais esquisitas,
falei contigo, mesmo sem aqui estares
e nem tuas sombras foram reais,
mas não foi por isso que passou a não fazer sentido.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Guardiã

É mais um dia
em que o silêncio não deixam falar.

Será sempre assim?

Se há a necessidade da pergunta
é porque não há a certeza da resposta

Quem conhece os bastidores
e não apenas o que aparece em cena
foi digno de saber os porquês,
dos atos, das acções.

Tenho tanto para te dizer,
tanta coisa bizarra
que se não digo se apaga.
Mas vou ter de deixar apagar,
não há ninguém para contar...
Quer dizer há,
mas não vão entender.

Como eu não entendo a ausência,
não entendo tanta falta de paciência,
tanta frieza.
Eu só queria um olá,
um sorriso...

Mentira,
eu queria mais que isso,
mas não posso exigir demais.
E já seria bem bom
ter-te um minuto por dia.

Gostava de congelar estes momentos,
e protegê-los de qualquer raio de sol,
quero que nunca esqueças
os sentimentos que despertas em mim,
os mais sinceros e protetores.

Serei guardiã deste amor,
mesmo sem troca de favores,
mesmo que os esforços pareçam nulos,
só quero é estar contigo,
o resto é bónus.

Se eu amasse todos como amo a ti
seria completamente feliz.

És como um café que dá vida,
que apaga vestígios de cansaço,
e dá energia para outra investida,
outra tentativa de laço entre nós e a vida.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Coleção

Deve ter sido o vento
que me empurrou para ti.
Não dei por nada,
acordei e já te conhecia.

Só mais uma bolacha dizias,
mas o pacote foi mesmo só o que sobrou.
Só mais um dia,
dizias,
mas passavam-se meses
e eu à espera.

Numa eterna espera,
eterno jogo de paciência,
eu tentei pensar que havia uma justificação,
tem de haver uma razão,
nunca seria assim sem ser por alguma emergência.

Fizeste de mim doutorada
na arte de apreciar a dor.
Fizeste de mim bofetada
dada ao som de um filme de terror.

A realidade é a dura visibilidade
é a dura ausência,
a certa indiferença.

Fui coleccionando.
Mesmo sem aperceber,
coleccionei insónias olhando o ecrã,
o máximo dos teus nãos,
no máximo dos meus serões,
em eterna espera vã.

Coleccionando
toda a mínima esperança,
me focando num incerto amanhã,
e fiz de todo o sorriso dado
um sim declarado,
mas foi eterna espera vã.

Não sei porque me espanto.
Afinal tudo faz parte do mesmo canto,
já cantado outrora.
Mas a Saga continua.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Muito mais

Se eu quiser um traidor
sei onde encontrar.
Quero-te a ti,
e de traidor és exemplar.
Tua noção de leal é oposta,
te agrada o que ninguém gosta,
te atrai o que ninguém olha.

Quero não querer-te,
mas quero não perder-te.

Eu tenho de olhar atrás,
tenho de conservar os melhores momentos,
recordar que afinal foram muito bons.
Porque se não rever o que tive de melhor,
só o mal vai realçar.

O coração não sabe falar,
e o que chega à boca
é só o que a língua alcança dizer,
vai sair sempre incompleto.
Mas posso dizer
que amo-te muito mais do que sei dizer
e do que tu podes entender.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Aceitem

Somos livres, 
até de nao querer ser livres.
E eu não quero ser livre sem ti.

Não te posso amar mais, já amo demais!

Mas tu ainda podes odiar mais...

Se forçosamente

eu tivesse de ser uma palavra,
seria saudade.

Se forçosamente 

eu tivesse de ser um sentimento
seria saudade.

Porque a saudade é o que me sustenta,

o que me dá esperança.

Gosto tanto de ti que nem sei dizer,
és muito importante para mim, 
mais que um vicio, uma necessidade...
Sim porque há vícios que sabemos ultrapassar,
mas há necessidades que não dá para deixar.

 Talvez eu não diga

tudo o que queria,
mas ao menos garanto-te que sinto o que escrevo.

O silêncio incomoda-os,

faz eles obrigarem-te a dizer algo,
palavras ao ar,
só para não calar.
Porque não se dão conta,
de que também é bem desnecessário?

Aceitem o meu silêncio,
assim como eu aceito o vosso ruído!

Às vezes gostava que se pagasse para falar.

Que se pagasse para ser estúpido.
E para morrer.

Mas não,

eu é que ainda pago para me fazerem sofrer.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Macabro

Pensa em algo que ninguém te diria.
Se pensares um pouco se calhar já disse.
Pensa em algo que ninguém fará por ti.
Mas garanto-te: Eu faria!
Ou morria tentando...

Eu tento fazer do nosso tempo
o melhor tempo,
o mais bem aproveitado,
o mais feliz.
Gasto imenso tempo a pensar em nós,
gastarei o quanto ainda me for necessário.
E me é muito.
Mas não correspondo às expetativas.
Tudo indica que não.
Senão, porquê esta solidão?

Sou como aquelas músicas intermináveis,
que nunca param de evoluir e surpreender,
e são perfeitamente harmoniosas,
mas podem parecer entediantes.
Sabes que adoro o estilo progressivo,
e a sério que me esforço por também ser assim.

És a minha bateria,
a razão de eu querer recuar de todos os precipícios.

Um sorriso teu:
A origem do meu.
Um sinal teu:
Motivo para seguir.
Um abraço teu:
Amostra de paraíso.
Um conselho teu:
Turbo para mim.
Silêncio teu:
motivo de preocupação.

Não sei respirar,
não sei comer,
enfim... viver...
Sem ti não.

Mesmo que o fizesse,
não teria a pior piada.
Sem ti o chocolate sabe a palha...
Até porque só sinto o sabor das minhas lágrimas.
O coração quer bater
mas só falha.

Mas se estás comigo
tudo eu consigo.
Tudo eu invento,
para tudo arranjo forma.

Prendam-me! É ilegal!
Excesso de vontade!
Excesso de amor!
Excesso de saudade!
Excesso de apego!

Acredita que eu tento,
fazer que enquanto comigo, todo o teu tempo
seja o mais apreciado possível.
Porque é difícil viver sem ti.

Péssimo viver sem ti.
Desastroso viver sem ti.
É macabro viver sem ti.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Tenho de saber

Pensar que a espera é inútil
é ser mal agradecida.

Mesmo que seja inútil,
que eu nunca descubra,
pois será sinal que morri fiel.

Esperar agrada-me
e enquanto o faço imagino
o reencontro,
os mil sentimentos num só sorriso,
as milhares de recordações
num só neurónio.

Era bom estar contigo.
E será ainda.
Sempre.

Se não existir mais um momento,
existirá sempre o eterno pensar em ti,
no horizonte a passar.
Vejo tudo de novo,
por segundos me entristece,
mas eu sei que vamos estar lá novamente.
Tenho de saber.
Se não souber enlouqueço.

sábado, 29 de novembro de 2014

De ti preciso

Confirma-se.
Estou pronta para mais histórias tuas.
Mais desculpas,
tantas quanto a tua imaginação conseguir destroçar.
Meus ouvidos preparados.
Meus lábios bem pregados.
Nada te irá interromper,
nenhuma prova vai encostar-te à parede.
Nenhuma frustração,
nenhum "Estou farta".

Fala tudo
e encomenda mais.
Se nem o perdão queres,
como podes querer outra coisa?
Fala.
Algum limite acharás.

Porque tenho de ser diferente?
Porque oxigénio não é suficiente para mim?
Há sempre a necessidade de ti.

Não é que eu esteja farta,
pois fartar e desistir é morte certa.
Preciso de ti.
Até da indiferença.
E no dia mais frio,
nem que seja para me congelares mais.
Quando estou doente.
Mesmo que seja para adoecer mais.
Qualquer que seja a situação,
preciso de ti.

Haverá alguma forma de entenderes
o quanto me magoas?
O quanto se torna o fim do meu mundo
cada mínima coisa que fazes?

Mesmo que não haja forma,
preciso de ti,
desse mau humor,
dessa rispidez.
Dá-me tudo isso,
porque de ti preciso.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

A praga

Até mesmo o algures tornou-se certo,
o alguém, específico,
o algo, único.

Mas sou dispensável para ti,
e sou dispensada sempre.
Insisto na esperança de algo mudar,
mas só aumento o teu grau de ódio.
Quando algo tão simples quanto agarrar algo se torna difícil
é sinal que já há pouco a fazer.
Os objetos fogem como tu de mim.
O esforço é sempre vão,
mas no teu caso, não existe operação.

E eu pude ver todas as árvores caírem em cima de mim,
rachadas por raios de raiva tua,
que outra razão haveria para os ver só em minha direção?
Impossível realizar o teu desejo,
impossível eliminar-me de ti,
sou a praga mais prolongada na tua vida,
não para envenenar,
mas amar.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

O sim

Sinto-me uma parva,
que não sabe fazer nada
sem ter a tua opinião primeiro,
não quero desagradar-te,
ferir-te, desapontar-te.

Mas teu tempo disponível
pra mim é um segundo,
o segundo mais bem aproveitado.
o segundo mais multiplicado.
E é nesse que decides romper
todos os outros compromissos.

Eu nunca perguntei pra não parecer chata,
mas quando perguntaste eu respondi SIM!
O sim mais sincero que ouviste.
O sim mais infantil,
com um sorriso tão dependente de ti.

A pergunta que accionou o coração,
tirou-o do estado de dormência.

domingo, 19 de outubro de 2014

Implora-se

A lágrima enrola
naquele que é o cúmulo
de coração trémulo.
É cedo para ter longe.
Cedo para dar o último beijo,
sussurrar o último amo-te.
Cedo para ficar sem a base,
sem a alegria contagiante,
o pilar da casa.

A autoridade,
que tanto chateou
agora implora-se
que fique para sempre.

O sorriso triste implora-se que saia,
a dor funda,
o nó de lágrimas engolidas
para não verem chorar.
Revestir de ferro
e ternura, para confortar,
mas dentro em pedaços.
Sentimento de estar a perder o chão.

Ter alguém na frente
e saber que em breve só estará na mente
é deprimente,
impossível de se aguentar sozinho.
É isso que quero dizer,
que vamos passar por cima.

Flores.
Imensas flores.
Pra quê?
Ela não consegue ver nem uma delas.
Mas recebe-as como nunca na vida.
Rostos paralisados ou com caretas
próprias de quem não consegue controlar o choro,
acompanham a cena mais desnecessária
que um humano tem de assistir.

Perder os dois tão cedo é demais,
desculpa, mas tenho ainda os dois pais,
e posso partilhar contigo,
mas não é suficiente.
De qualquer forma posso ser mais,
embora saiba que tens por onde te poder virar,
deixa que eu também possa te amparar.

Se ser mãe é cuidar
cuidarei,
se é aconselhar,
farei,
se é preocupar,
já faço,
se é amar,
já faço há muito,
se é perdoar,
faço sempre.
Também posso fazer comida,
aconchegar os cobertores.

É uma necessidade minha
cobrir as tuas necessidades.
Estou aqui,
não vou fugir,
não por minha iniciativa.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Pausa que dor causa

Ainda tenho o teu número nos meus contactos.
Não que tencione ligar-te, ou que eu espere que tu me ligues...
Simplesmente é difícil responder sim ao: "Deseja apagar?"
e há na minha mente um talvez.
Um talvez de um dia me poder orgulhar
de que voltemos a falar
e eu possa dizer que nunca apaguei o teu número.
Mas é duro, estar à procura de um contacto e deparar com o teu,
que me faz pensar: "Porque já não falamos?"
Faz vir o aperto de lágrimas aprisionadas,
engolidas por um "vá, continua a procurar por quem querias telefonar."

É também duro pensar que o meu número foi
certamente apagado por ti na primeira oportunidade.
Gostava mesmo de entender o que fiz mal,
para poder fazer mil vezes o contrário,
mas nem a isso tenho direito...
Só há o dever de não te incomodar,
pensas que tudo em mim é hipocrisia,
deixa que te diga que realmente te valorizei, segredos revelei,
com a certeza de estarem imperturbavelmente adormecidos,
mas agora não há ligação entre nós,
não sei se vão ser espalhados, alterados.

Tu tens o dom ridículo de apagar rápidamente
pessoas da tua mente.
Eu tenho o dom de deixar as que quero permanentemente,
talvez também ridículo, quando com as erradas,
mas para mim não são erradas,
já em algum momento provaram merecer parte de mim
E embora agora mudem de ideias, não conseguem contagiar-me.

O que queria que tivesses a certeza é de que estou aqui,
e não sei que fazer ao te ver na rua,
mas se não te abraçar sabe que é só por não saber se tu aceitarias.
Por mim nunca teríamos esta pausa.
Pois é uma pausa que dor causa.

Quero acreditar ser só uma pausa...

sábado, 5 de julho de 2014

Nunca é estúpido

Começaram a dizer que era estúpido
amar tanto assim.
Nunca daria lucro,
só prejuízo.
Mas eu não queria ganhar
nada mais do que contigo estar.

Pessoas deixam de se preocupar
com a saúde mental
por demais amar.
Mas não amar e ser frio
também não é o ideal,
é um estado que eu nunca quero alcançar.
Nem entendo os que alcançam.

Amar é mesmo levar com os pés,
mas sentir que um pontapé é um afago,
que uma ofensa não é grande estrago.

Amar é perseverar,
Nunca fartar de apagar
a mágoa que causam,
nunca concluir que nos ignoram,
mas que estão distraídos,
estão em pensamentos entretidos.

Mas lamento, o também ter sentimentos
frágeis que vez por outra, machucam-se
com ações ou frases
que não educam.

Mas nunca é estúpido
sofrer por amor,
nunca é burrice
persistir nesta dor.

domingo, 15 de junho de 2014

Jamais com bolor

Queria acordar, mas não havia sonho,
queria falar, não haviam palavras,
queria andar, não haviam pernas.
Havia sim um aperto
ao viver um pesadelo desperto,
num constante deserto
sem areia como companhia.

Continuo a pensar que um dia vais voltar,
numa volta vitalícia
me descansar de que agora nada se modifica,
tudo se manterá na linda rotina
de quem tudo tinha
só por ter alguém ao lado.
Esperança infinita
e amor jamais com bolor,
é o que eu consigo guardar
o tempo necessário,
o tempo que necessitares
para ter saudade desta que nunca te detesta
qualquer que seja a ofensa.
Se nunca for assim
prefiro acreditar numa mentira,
que seja então uma mentira para sempre adiada,
e que eu nunca tenha a certeza dessa verdade
para assim poder continuar ignorante,
mas confiante

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Melancólico duo

Dou por mim na mesma mesa,
com a mesma música,
a mesma imagem na cabeça.

Ainda tenho uma coisa que é minha: o coração,
ele ainda bate se ouvir com atenção.

A vida me rasga e eu ainda retribuo,
ela ainda me chama para um melancólico duo,
e o coração quer estar contigo,
quer mostrar-te os detalhes que eu não consigo.

Deparo-me com ele fora de mim
vadiando à tua volta.

Sou eu quem o conduz?
Será puro o que eu procuro?

Ok, o coração já não apanho,
está por aí como que dominado por uma doença,
mas ainda há algo que é meu:
o sonho de ter algo que me pertença.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Não quero anular

Tenho de admitir:
Perdi.

Perdi  o medo de ter medo,
assim deixo de ter algum.

Te segredo
que já não tenho medo
do que farás ao meu segredo.
Sorrisos te estendo,
é certo que eu não entendo
o mundo em que escolhes viver,
é também certo que não vendo
não consegues avistar,
e eu não vendo
o que me queres comprar.
Deu trabalho a ter,
levou tempo a valorizar,
mas não levou tempo para te inscrever
no meu coração que quer
de longe que estejas mais perto.

Mas viver é um aperto
que te deixa insensível
a mim e a nós.

A cada minuto que passa,
passa também a oportunidade de te falar,
de te confessar que és o erro que não quero anular.
Quero antes repetir sem parar.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Amar-te faz parte

Conta comigo.
Não, não é para fazeres contas comigo.
Mas para vires ter comigo,
com a confiança de que tudo
ficará bem depois.

Eu sinto a tua falta
como uma criança ainda de fralda
que precisa da mãe,
por quem
tem um amor que não acaba mais.

Por mais difícil que se torne amar-te
o meu grau de dificuldade será sempre alto,
porque amar-te faz parte
dos elétrons de oxigénio que quero inalar.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Na noite

Nessa noite em cidade oca,
a falta de educação da multidão sufoca
e a frieza de um mundo desonesto
leva-me a correr com mais força.
Mas na tua direção.

Cansa,
mas agora corro com objetivo.
És demasiado objetivo
para seres meu objetivo,
mas ainda assim,
corro atrás de ti.

Talvez a minha direção esteja desalinhada.

Numa noite em cidade louca
a vontade de andar é pouca.

Numa noite em cidade rouca
a lua tua cara foca,
as luzes rápidas se cruzam,
da nossa paciência abusam.

E é na noite que a cidade convoca
todo aquele que olhares troca.

É na noite que se evaporam
todas as lágrimas
que ninguém quis chorar.
É no silêncio da noite
que todo o ruído faz o coração saltar.

Também é na noite
que a recordação de ti é mais forte.

És de uma compatibilidade assustadora,
de uma beleza que esfola os olhos!
Mas andas numa estrada
em constante derrocada...

Sinto-me derrotada.

domingo, 27 de abril de 2014

Amamos

Às vezes amamos quem não deviamos,
e não amamos quem se esforça por ter nosso amor.
Amamos quem não queriamos,
amamos o que nos deixa de cara na almofada.
Amamos quem não quer receber nada,
e então não pode corresponder.

E não apercebemos dos que nossa atenção imploram.

Amamos quem não tolera amor,
amamos com toda a força os que choram pedindo que paremos a perseguição.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Ladra

Quão feliz eu já podia ter sido
e não fui?
Sem dúvida muito.
Mas agora não faz diferença,
logo que te tenha sou feliz.
Sou bastante.
E ainda o sou mais ao confessar-te
o quanto me fazes feliz.
Sentir que sou algo mais que uma ladra de oxigénio .

Tudo acaba sempre no mesmo,
e o mesmo não é agradável.
O mesmo não é degradável
e isso faz dele sempre o profundo mesmo.
Imbatível mesmo,
que mesmo num ser frágil
não se compadece e o esmaga,
cerca de mil
o olhar degradam,
se afogam
e no rosto rolam
traçando um caminho para as próximas.

Travá-las?
Não é que eu não queira,
é que eu não posso.

domingo, 2 de março de 2014

Medrosa


É aquilo que eu penso que és,
o hipotético tu
que faz o patético eu
ser feliz,
desde a raiz.
Mas faço mal a mim,
ponho-me num estado depressivo
sem razão aparente.

Pai, ajuda-me,
sou uma medrosa,
um pico de rosa
que rasga a própria pétala.
Tu sabes quão funda é a escuridão,
e que não dá pra sair sem a tua mão
então eu suplico-te: Socorro!
Perfuma-me de coragem,
acode-me!

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Replay?

Se fores à praia,
anda na areia molhada,
e lembra que ela já foi por nós pisada
enquanto giravamos com as mãos dadas
e ouviam-se gargalhadas.
Os pés descalços e arrepiados
deixando pesadas pegadas,
enfeitando com areia as unhas crescidas.
As bainhas arregaçadas e teimosas caíam,
as ondas vinham e levavam 
parte da areia dos pés.
A noite estava fantástica.
É esta a minha lembrança sempre que passo pela praia à noite.

Vestimos as meias com os pés ainda húmidos
e escondi um sapato teu,
mas não aguentei o riso ao ver teus olhos varrer o chão.

Não achas que isto merece um replay?

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Fora do normal

Tenho a noção que preciso de ti
com uma necessidade fora do normal,
e que preciso da tua compreensão mais do que o normal,
pois amo-te com um amor fora do normal,
porque se fosse normal, não era tão grande,
não era tão profundo
e não preciso nem quero ser alguém normal.

Tu no fundo sabes que para mim não és normal.
Tenho medo que esqueças
que aguento todas as enxaquecas
desde que esteja a teu lado.
Tenho medo que esqueças que eu talvez
já não saiba viver sem a tua amizade,
e tenho medo que um dia não precises mais de mim,
então quero me esforçar por ser útil para ti
e fazer-te soltar esse sorriso
que nem sei como consigo.
Quero-te implorar que aceites sempre o meu perdão,
porque será sempre sincero e desesperado.
Terei sempre a vontade de te fazer as vontades,
e a vontade de te lembrar como és importante,
como me fazes ver que tudo vale o esforço,
tudo para o qual realmente me esforço.

E eu nunca serei normal e recuso-me a ser no que toca a gostar de ti,
talvez seja uma doença ainda por descobrir,
mas sim, sou doentemente apegada a ti,
e não quero encontrar a cura,
porque gostar assim tanto é o que me faz viver
com a força para ser alguém da tua amizade digna.

Obrigado por existires,
obrigado por insistires,
mesmo sem teres a noção
em ser tão importante para mim.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Duvida

Duvida sempre.
Duvida se o céu é azul,
se a noite é negra.
Duvida do óbvio, é essa a regra.
Duvida se o norte é sul,
duvida da vida,
da neutralidade do zero,
duvida se aloé vera é comida,
duvida de cada exagero,
duvida a cada dia do ano,
e se o sal é tempero,
se a gota da chuva é oval,
se o chocolate em excesso faz mal,
duvida se tudo é real,
mas nunca,
nunca duvides
que eu tanto te amo.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Farei

Eu revia tudo na mente
como uma memória jamais revivida,
e talvez eu a tenha desejado muito,
mas agora o desejo não é maior que o medo.
Já tinha atingido o comodismo de não te ter...
E agora volto a ter...
Como reeducar-me quando te perder?
Oh não aguento,
vai-te de vez!
Vai, tu não vês que eu
já não precisava de ti?
Sei que infelizmente vai ser bom estar contigo,
mas vai-me levar aquilo que foi perdido
e já estava meio arrumado, 
anestesiado ou esquecido.
E agora tudo volta ao princípio.
É tudo uma verdade confusa que acaba em mentira.
Uma saudade que nunca foi mais que um:
"Não te suporto."
Ou talvez realmente pense que suporta,
mas só umas horas.

Sempre te mimei,
e hoje ainda farei,
depois de refletir sei que é o correto.
Se para ti está tudo bem,
deixa continuar assim.

Que queres mais?
Farei.
Mas porque tens de querer tanto fazer-me sofrer?
Bem, é para sofrer não é?
Então bora lá!

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Para isso me empenho

Estou à espera que o talvez vire sim,
e o não um talvez.
Mas talvez não.
Talvez nunca fique assim,
como eu talvez nunca te apague de mim.

Não sei o que é pior:
Não te ter,
ou não te poder esquecer.
E tanto, tanto eu lamento
o não ser forte,
o não ser insensível,
não ter o erguer a cabeça
e não olhar para trás.

Minha cara está constantemente virada para trás,
para o trás que tu me trazes
e lá me deixas, mas sem ti.
E sentir que passado e presente
nem te tive presente
faz doer os olhos.
E o futuro será também sem ti...

Eu já não encontro razões
pra dizer que preciso de ti,
mas não encontro os travões
que te deixarão distanciar de mim.

No meio do mato
saudades mato.
Lágrimas espanco com os dedos.
Sei todos os teus segredos
e dizê-los são meus medos.
Quero abraçar a ti...
sentir por um minuto que te tenho...
Para isso me empenho.

Conheces aquele deserto
onde só chove nos teus olhos
e os pés ardem com profundas queimaduras?
Moles, não duras,
como o coração onde perduras,
de lágrimas cristalizadas
à espera de um sol que as dilua.

Procuro o que ninguém procura,
procuro o que não existe.
Procuro curar a loucura
cuja cura não existe.

Eu sei...
Meu lugar é bem aqui,
no lixo, prisioneira dos ratos,
mas a ti segui
achando serem certos atos...

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

É tudo

Guardamos sempre,
mesmo que pareça desnecessário,
e mais tarde, finalmente é útil.

Guardei o amor
e quis dá-lo a ti.
Isso não foi bom
e logo eu percebi,
mesmo assim não o recolhi.
Deixei ver se algo mudava
e mudou,
pra pior.

Mas amo-te, é tudo.
Tão simples, mas em grande quantidade.
Já disse no passado sentindo com menos densidade,
portanto é mais que correto dizê-lo agora.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Let me think

I miss my self,
my self with you.
Miss the infinity  of smiles,
the so in love mails.

Don't judge me now,
I'll be strong, you'll see.
But if I ever fail, please don't say it to me.

Let me think I'm doing right,
and can grow without you
and live as well.
Let me think I can't see
what I hate to see.
Let me think I'm alright,
let me think you love me.

domingo, 8 de setembro de 2013

Dependente

A fé demonstrada por obras
é fé adquirida por provas.
Sem intenção de deixar as rodas
andar sem o sorriso que travas
preciso de cartas,
escritas com canetas vendidas,
mas não compradas,
para reler e sentir de novo que odeio
o amor que a tristeza me tem.
Odeio, mas às vezes convém.

Não ignoras agora,
porque a noite se demorou a estender.
Tento pôr de lado
tudo o que se sente,
tudo o que magoa
mas temos presente.
Sem ajuda ninguém sobrevive,
com a ajuda errada também não se vive.

Tão difícil é ser feliz.

Quero sentir o alívio,
a sensação de que tudo será diferente,
que tudo será o mesmo,
ou melhor que o mesmo.
Enfim, tudo será algo,
algo que me deixe mais feliz,
menos dependente de ti,
ou então totalmente dependente.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Prisioneira passageira

Deves saber que o meu mundo gira devagar
quando dá pela tua falta,
meu sistema deixa de respirar
quando vê tua ausência alta.
Minha agenda anseia
um espaço com o teu nome.

Sou sempre prisioneira
do teu olhar indiferente.
Sou sempre passageira
na vida de quem quero estar eternamente.

Deves saber que o meu mundo deixou de existir
quando não te viu aqui,
meu ser quis algo ser
e de mim teve de fugir
para não mais sofrer.
Minha agenda anseia
um espaço para sorrir
à tua beira.

domingo, 7 de julho de 2013

Limite-se a bater

E se me der aquela saudade?
Tenho nenhum número,
nenhum e-mail.
O que fazer se ela me invade?
Tenho aquele medo,
aquele que te aperta e te faz precipitar,
que leva a acções nada nossas.

Sei que aprecias peças restauradas,
e meu coração está nas ultimas batidas,
quero oferecer-te,
mas as aurículas estão partidas,
quero dar-te,
todos os pedaços,
mas os ventrículos já são cacos.
Quererás conservá-lo em algum museu teu?
E assim deixa de ser meu.
Alivias-me desse fardo?
Tem sempre dono errado,
o único certo é quem nasceu com ele,
mas nem essa o quer.
Limite-se a bater,
limite-se a não ver,
limite-se a transportar oxigénio.
Isso seria um ato de génio.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Carta

Tudo é tão estranho,
tudo roda à minha volta
e em vez de agarrar algo, afasto tudo.
E se eu agarrasse algo
não seria o que me faz mais falta,
porque não dá para te agarrar.

No clímax da saudade,
do desespero, é que é possível escrever-te.
Deve ser triste isto.
Realmente tenho tarefas de sobra,
mesmo assim,
compro algum tempo para te escrever,
para tudo o que se gosta consegue-se tempo, não é?

Gostaria de dizer-te que ainda respiro,
que continuo sem ir ao dentista
embora os dentes estejam doendo,
algo como continuar sem visitar-te,
embora morrendo de saudades.
Já não consigo ficar acordada ate à uma da manhã.
Mesmo que possa dormir todo dia seguinte.
Por um lado ainda bem.

Deixa-me escrever
porque se já nem puder fazer isso coitada de mim.

Não sei se esta é a minha vida,
mas são os pequenos momentos
que fui coleccionando.

Tenho sete gatos agora.
Todos perfeitos.
As minhas vaquinhas estão muito obedientes,
o periquito está meio adoentado, eu acho.
As minhas insónias já são passado.
E descobri uma coisa interessante,
o nosso coração consegue bater mesmo todo despedaçado.
Não espero resposta, nem mesmo leitura,
Beijinhos.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Felicidade aparente

Sempre que me odiares
lembra-te que não és correspondido,
e eu enquanto te amar lembrarei o mesmo.
Faltará muito para o prazo acabar?
Sou eu quem o está a prolongar?
Faz-me parar,
grita comigo, manda-me passear.
Ou vem passear comigo,
que eu sozinha perco-me
e ninguém me irá encontrar,
pois só permito a ti.

Se não quiseres ser meu refúgio
entendo, mas ainda sou o teu.

Pára de oferecer
o que é meu.
Sim os lábios,
que me ofereceste sem reservas
e agora roubas e dás a quem os suja,
a toda aquela que se mobila de trevas,
não te atrevas,
pois eu permitirei,
não vou-te impedir
de errar como errei,
então vai,
deixo-te partir
porque é melhor ver tua felicidade aparente
que a tua tristeza evidente.

domingo, 12 de maio de 2013

Verde

Vou esperar o aroma verde voltar,
o triste nostálgico.
Gostava de esperar aqui,
sabendo ser por uma razão,
e existe uma,
ainda estou olhando o teu último suspiro
junto à janela.
Respiraste fundo, para desenhar um coração
no vapor do teu hálito,
e sorriste para a rapariga e ela ficou radiante.
Bateu mais forte o meu cérebro,
cada batida era penetrante.
Felizmente as limpezas por aqui são nulas,
e no vidro é possível ainda
ver o teu indicador riscado
num coração, que não sabe,
mas faz o meu bater.

O cheiro do momento era verde.
Da relva acabada de crescer,
e ainda imagino a cena,
mas comigo em protagonista.
Realmente não vou esquecer,
algo estúpido e que para ambos
já é passado bem passado,
e onde estiverem já perderam contacto.

E se o cheiro verde voltar
saberei no que pensar,
na esperança de um dia ter teu real coração,
não um desenho feito à desajeitada mão.
Mas senão, então não.
Posso viver com esse não.
Ainda há espaço para mais.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Não venhas sem ti

Quero que vaiamos connosco,
não sem nós.
Que vaiamos com o rosto
e a mesma voz
e personalidade.
A mesma mentalidade,
o mesmo sorriso.
Sim é outra idade,
mas é o mesmo juízo.

Vem.
Ver o que vimos,
de parvoíces rir.
Vem.
Se te importa o que sentimos.
Mas olha,
não venhas sem ti!

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Como nunca quis

É assim que eu estou:
Exausta,
aprofundada
em tudo o que já afundou,
tudo o que se perdeu.

Onde quer que olhes,
onde quer que te sentes,
sabe que eu estive aí,
porque eu já estive
em todos os teus sítios favoritos,
há lágrimas minhas em cada canto,
mas visto que foram impelidas por ti
continuam a não ser vãs,
continuam a ser o rasto
para não te perder
embora já me tenha perdido a mim.

Onde quer que andes
eu já pisei o solo,
já me atirei para esse chão
que nem doida aos berros
gritando o nome proibido,
e sempre gastando-te em meus pensamentos.

Porque ainda existe o meu olhar a procurar-te?
Não há em ti final feliz.
Porque ainda há a nostalgia?
Oh amo,
amo como nunca quis.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Curto demais

A tua voz faz-me mal,
ouço-a e penso que ela ainda a mim é dirigida,
ou que ainda me elogia.
E essas mãos, que passas pelo teu cabelo,
as que eu mais fiquei familiarizada,
sinto-as ainda nas minhas.
E esse olhar marcante,
que ao deparar comigo agora é direccionado,
eu sei que já me fixou.
E esse sorriso aberto,
cuja chave eu já perdi, ainda funciona,
mas não para mim.
Sai! - Digo-me.
Sai! Sabes que já nada devia importar, corre!

São demasiadas recordações
de um momento curto demais.

sábado, 6 de abril de 2013

Masmorra


Era sem eu dizer que eu queria
que chegasses aqui.
Sem eu chamar,
só porque isso melhor te faria
só porque gostas de mim,
e sabes que sempre vou gostar.

Não quero que meu coração viva,
mas morra
numa impenetrável masmorra.
E realmente é o que está acontecendo.

E tudo o que queres que não mude, muda.
O que queres que mude, não muda.
Raro há algo que possamos fazer.
Raro há alguém que nunca abandone,
desde um animal até uma pessoa.
Quem abandona algo,
não admire a solidão.
Mas e quem dá tudo,
ou tudo acolhe?
Olhei para trás...
Dizem "Nunca olhe!"
Não sei ser tão insensível.
Existe mesmo esse grau de insensibilidade?

sábado, 23 de março de 2013

Ravina

Como ainda estavam longe
continuaram ao telemóvel,
embora já reconhecendo os vultos um do outro.
Sabia tão bem ouvir mais uns minutos
aquela voz ainda distante na realidade...
Sabiam também que em breve não se iriam ver,
apesar disso o sorriso ainda vivia,
morto estava o coração por abraçar
aqueles abraçáveis braços!
Eram os últimos momentos.
Para quê apressá-los?

Se tudo ficasse melhor
e soluções existissem,
não no fim, mas agora,
eu poderia ter um largo sorriso,
mas até lá não sei,
só sei andarmos na deriva
nos precipitando para toda a ravina,
e quem quero a meu lado?
Adivinha.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Confusa

Já sentiste?
Hm... Eu sei que não.
Mas eu sinto e lamento,
esta dor que esconder tento,
estas falhas que eu quero desconsiderar,
este aperto de há muito não chorar
e esta saudade de sofrer,
esta recusa de erguer a cabeça,
mas esta vontade de dar tudo por um sorriso.

Confusa.
Bastante.
E como a fusa,
rápida e confiante,
sabendo ter tudo,
mas não achar o importante.

Sinto aquela falta de tudo,
e sei que isso não está a venda.
Ainda bem,
pois não teria como comprar.

terça-feira, 5 de março de 2013

Não mais ter medo

Os medos reproduzem-se
com muito mais frequência que a coragem.
Dá medo.
Não quero mais ver o som do medo,
o desastroso, o fraco.
Medos de não conhecer os limites
e pensar que nada me derruba.
Ou medos que me façam fugir
pensando que tudo me derruba.

Medo,
amigo diário,
justificável ou não.
Mas não exagerado,
também não pouco.
Medo de perder tudo aos poucos,
e eu tenho ainda...

Medo de não mais ter medo.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Sem ti dói

Sei do que preciso
e não preciso do que sei.
Não posso ser dependente
de quem me põe doente,
de quem me deixa friamente
no mais completo instante
de dor agonizante.

Nada é real,
sim, nem mesmo eu sou real.
Sou menos verdade que uma mentira,
sou a tranquilidade que me tiram.

Pode doer,
mas se assim não te doi,
eu aguento firme, até os musculos suportarem
e até os ossos durarem.
Deixa-me apenas se isso for o melhor para ti.
Ou abraça-me e diz que fará tudo sentido,
que vais estar aqui, porque tudo sem ti dói.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Ignorar?

Pior coisa que me podem fazer é ignorar,
mas mesmo quando o fazes não desisto,
sou forte, mas não resisto,
tenho de dar a certeza que ainda estou aqui
para o que precisares,
mesmo que seja ofender,
percebendo ou não, o que estás a fazer.

Eu demorei a ver que não era um pesadelo.
Demorei, porque não queria vê-lo,
e ainda não sei como estamos,
não sei o que esperas que eu faça.
Se pensas que já não és insubstituível
só a ti estás a enganar.
Mais facilmente todo o mar se mobiliza
do que eu te passo a ignorar.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Espero impacientemente

Há coisas que não são como andar de bicicleta,
e que ao não treinarmos
acabamos esquecendo.
Tenho pena das tuas más escolhas,
mas hei-de sobreviver sem ti.
Já que tens tanta facilidade em viver sem mim,
pode ser que me contagies...

Mas esqueci-me como era viver assim,
tu reaprendeste rápido.
Fico feliz ao saber que dei o meu melhor,
mas triste ao ver-te como pessoa injusta.

Ser forçada a te expulsar custa.

Lidar com sentimentos
é como lidar com ovos,
e tu partiste tudo...
Que resistência há para um ovo contra um tijolo?
Tantas vezes fazemos figura de tolo,
mas arriscamos achando valer a pena.
Grande erro pensar que todos retribuirão...

Mesmo aqueles que sempre o faziam.

As pessoas mudam e não avisam.

Realmente quero fazer o máximo,
mas torna-se o mínimo
porque para ti o ideal
é que eu não faça nada.

Não ouço um "Sai por favor",
mas um "Sai imediatamente!".

Mas para ti ainda há muito perdão guardado,
quando quiseres vem cá buscar.

Espero impacientemente.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Imprevisto

É sempre cedo demais
para te esquecer,
deixar a vida continuar...
Sei onde vais,
mas estou-te a perder,
não te sei parar.
Queres correr
por campos espinhosos,
queres não ver
estes olhos amorosos
que não te querem causar
um décimo do que causas.

Se vires lágrimas cair,
não as devolvas,
elas não estão a fugir,
estão a ser expulsas,
pena que não levam os pensamentos.

Estou esmagada pelo sistema,
estou desesperada, cortada em poema.

O imprevisto acontece a todos.
Isso inclui a Verânia.
Se o imprevisto acontece-se a alguns,
isso incluiria a Verânia.
Se acontece-se a poucos,
incluiria a Verânia.
Se o imprevisto não existisse,
ainda assim, aconteceria comigo.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Autopsia

Não sei como este coração não pára,
mas quando ele quiser parar, vê a autopsia.
Afasta esses pulmões doentes
e vê o órgão que, agora morto,
se acelerou ao pensar em ti,
se acalmou ao ver tua face,
se alegrou ao ouvir tua voz.

Vê agora os olhos escondidos nas pálpebras,
estes que de raiva de ti já choraram,
mas logo de saudade tuas se esvaziaram.

E parte o crânio e espreita o cérebro,
que já latejou de enxaqueca de pensar em nós,
aquele que me faz consciente de todos os nervos afetados.

Vê os ouvidos que ainda têm as tuas palavras
deslizando no labirinto,
toca os frios dedos que se aqueceram tocando para ti,
os mesmos que escreveram poemas
para fazer de músicas canções.

Agora tapa o corpo,
esse já se sabem as causas da morte,
meu cérebro não foi preparado
para viver neste sistema,
nem para funcionar com uma dúzia de suplementos,
ele precisa de pessoas, sim de ti também.

domingo, 6 de janeiro de 2013

"A melhor"

Eu estou disposta a abdicar
dos mais importantes compromissos,
mas tu jamais poderás ajustar
os mais pequenos caprichos.
A agenda torna-se impossível
de preencher com uns minutos a mim,
e saber que antes era tão acessível,
que fui chamada "A melhor",
que foi-me dado tanto carinho,
que fui realmente alguém muito feliz.

As pessoas fazem muito bem
em não guardar os registos das conversas,
afinal depois tornam-se setas
ao coração diretas.

Pode parecer banal,
mas é muito sofrido,
as lágrimas eram só fruto de riso,
agora não consigo escrever
sem interromper para limpar a cara e o nariz.
Mas jamais limparei a memória,
por mais vazia que esteja
ficaste para a história,
a minha história,
aliás ela talvez tenha começado aí.
Vou-me esforçar por não acabar aqui,
e tu?