sábado, 1 de dezembro de 2018

O teu lar

Era mais fácil dizer adeus.
Não quero sofrer,
não quero mais os teus
olhos nos meus sonhos.
Não quero mais o teu sorriso
no cérebro que não és dono.

Era mais fácil odiar.
Nunca deste razão para esperar,
nunca deste sinal de me amar.

Enterrei gatos, enterrei cão,
actualizei o cartão de cidadão,
mas nunca instalei a raiva e o rancor
por alguém a quem esperei
por um mínimo ato de amor.

Mudei de emprego,
de penteados,
de carros,
mas não mudei os sentimentos,
ainda que entretida com a vida.

O Inverno marcou sua presença,
e Outono, Primavera, Verão...
Mas não verão,
nenhuma estação,
em que chegues e, mesmo sem pedir licença,
venhas para o teu lar: o meu coração.

Seria fácil dizer para ficares,
seria difícil nessa hora,
como em qualquer outra,
pedir para não me procurares.
E se houver essa tentativa
só o perdão me invade
e se ainda me encontrares viva,
saberás que ainda não é tarde.

1 comentário:

  1. O amor não tem horas… Nunca é tarde. Gostei do poema.
    Uma boa semana.
    Um beijo.

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