quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

Cortisona

Olá cortisona personificada,

sim és tu quem tira anos de vida e

não há psicólogo que vá entender

esta confusão descarada.

Tanta preocupação com a água que tenho de beber,

arejar a casa, alimentar bem,

mas depois ligas a motoserra e cortas-me ao meio.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Fraca

Mais uma vez o blog pareceu abandonado,

mas ainda não morri, aliás deve ser bom sinal ele ficar parado,

andar longe da ponte é meu objetivo,

mas parece que ainda tenho um lugar cativo.

 

Lembram-se de quando a bateria ficava fraca

e em vez de carregarmos substituíamos as pilhas?

Ontem lembrei-me dessa palavra: Fraca.

E dei por mim a chorar por uma pilha fraca,

coisa que antes eu deitava fora sem pestanejar.

Ainda haviam as tretas de rolar na mão para aquecer e voltar a colocar.

Mas já deu o que tinha a dar.

Morreu. Aceita que dói menos.

Não irá ressuscitar.

Isso é só para as recarregáveis.

Eu tenho essa vantagem, eu sou recarregável.

E isto está longe de ser o fim. 

Pilhas alcalinas nunca mais.

Na melhor parte da música são fatais.


Escolheu despedir-se de mim e de tudo,

não por morte, mas por fraqueza,

deixando atrás luto 

e uma grande tristeza.

Mas eu vou recarregar,

agora até nem fio é preciso,

precisamos é de ter juízo.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Sempre estimado

Este ano fez-me falta um pouco de neve,

um pouco de abraços

e um pouco de clima seco.

O blog entrou em greve

apesar dos espaços

em dias que mereço,

mas abusei dos descansos

e as ideias não vêm 

quando não as chamamos.

Hoje teimei e chamei.

Há que ressuscitar os nossos amados

e este blog sempre foi estimado.

sábado, 13 de fevereiro de 2021

Opto pela última

 Esta ilha é uma rua 

onde a minha vizinha é tua,

a tua namorada é minha prima,

a minha irmã é tua cunhada

e o teu pai é meu tio-avô,

e à beira da estrada

está o meu gato, que me segue para onde vou,

mas ele sabe que eu sei voltar,

a rua é demasiado pequena

para não me saber orientar.

 

Não dá para ficar perdida,

nem dá para passar desapercebida,

todos sabem a tua idade

pois ninguém tem a sua vida,

a vida é comum à comunidade.

 

Sabem quando socorrer,

e quando se intrometer.

E se ficarem confusos optam pela última.

E quando mal recebidos chamam-te estúpida.

"É só uma rua,

não tens de ficar lá para sempre,

muda-te, mas olha que há sempre uma serpente".

 

Eles sabem se o teu carro tem um arranhão novo.

Chamam-lhe perspicácia.

Eles sabem, e se não sabem inventam.

Chamam-lhe audácia.


Ficam à porta do café de cerveja na mão

à espera do meu boa tarde,

mas permanecem mudos

e se não o ouvirem:

"Lá vai a arrogante"

E eu penso:

"Lá estão os surdos ou antipáticos".

Opto mais pelo último. 


Sabem a que horas te deitaste:

"Aquela luz não havia forma de se apagar."

Sabem o quão bem respiraste:

"Ela foi sem máscara caminhar".

Sabem que estiveste em casa

e ainda assim não atendeste o telefone.

Sabem quem se atrasa

e quem grita com fome.

 

É engraçado ao inicio,

sentimos que em caso de perigo há quem socorra,

mas tudo tem prós e contras,

nem todos têm coração de bombeiro.

Há uma calmaria entre Novembro-Fevereiro,

mas ainda lhes valho,

só que o frio e o vírus também leva os cuscos ao tele-trabalho.

 

Tudo tem o seu tempo de rima, 

que mal há em ficar uns meses sem postar?

Descansa que entre abandonar-te ou ficar 

ainda opto pela última.

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Paz aos pedaços

Ainda era novo,

mas esquecendo-se disso,  foi abrindo todos os comprimidos,

que tal como os seus medos, não estavam vencidos.

Foram receitados com atenção,

ouvidas as recomendações, e enfim na farmácia vendidos,

na esperança de comprar paz aos pedaços.

 

O cérebro também era novo,

mas esqueceu que só tomava metade por dia,

e lá foram quinze parar ao estômago,

que em pouco tempo lhe ardia.

Esse também era novo,

e uma lavagem atempada o renovaria,

mas ele não queria ser socorrido, 

a chave era só uma e ele a tinha consigo.

Àquela hora ninguém viria,

tal como ele também não devia.

quinta-feira, 9 de julho de 2020

Acabou-se o lado negro

Ficar sóbrio tornou-se uma doença,
então ele bebe.
Mas bebeu até beber ser outra doença.
E recentemente injecta,
e espera que o efeito aconteça.

E quando passa-lhe vem a doença,
a realidade doente.
Então ele liga ao dealer,
que é o seu novo doutor,
o herói que fica contente
por fazer-lhe esse favor,
mas a pequena dose heróica de "paz"
logo se desfaz,
e a sua euforia
é em breve urinada,
sendo substituída pela sobriedade tão odiada.

Mas é dela que depende toda a mudança.

Só quando sóbrio dá para identificar o problema
e então procurar a solução ideal.
Quando não dá sozinho procuramos alguém de confiança,
não um dealer interesseiro,
mas um amigo, um profissional.
Pode até não sentir confiança logo com o primeiro,
mas continue, a lista é grande.

Grande também terá de ser a coragem
para saltar o obstáculo apesar da lesão.
Começar do zero, com uma nova razão,
com o vício de ser feliz por conta própria,
e que viver seja suficiente para alcançar euforia.

A mesma pessoa que furou as próprias veias
tem de ter coragem para tal,
só precisa direccionar as ideias,
reavaliar qual a prioridade actual.

Acabou-se o lado negro, acabou-se a solidão.
Pedir ajuda não é fraqueza,
nem serão alvo de pena de certeza,
antes de admiração.

domingo, 3 de maio de 2020

Cuidar

Eu dizia estar pronta para dar-lhe um rim,
mas esqueci de dar-lhe atenção.

Dizia estar pronta para dar-lhe a comida que era para mim,
mas naquele momento não lhe dei a mão.

O arrependimento é forte,
mas o ódio é maior.
E a impotência do não poder voltar,
ir às profundezas da morte,
dizer qual o valor
do amor que eu tinha e não disse,
que eu tinha mas não fiz parecer,
que eu tinha, e achava ser claro em toda a ação,
mas sem pronunciar não há confirmação.

Alguns precisam dessa confirmação.
Talvez todos.
Digam, não é em vão,
digam o que fizeram, para onde vão,
se perguntam há preocupação.
Não é mexerico,
é cuidar,
é amar.

terça-feira, 14 de abril de 2020

Pandemia

Feliz aquele que tirou férias no inicio do ano.
Azarado o que achava viajar este Verão.

Agora não há abraços,
não há beijos,
só emoções
e os traços
que montam smiles e corações.

Há mais amor acumulado,
se assim não fosse estaria esquecido,
então sorte a nossa
ele ser assim aquecido.

Há mais saudade acumulada
e mais valor dado a uma videochamada.
Mais consciência no toque
e a presença tanto acostumada
agora esgotou o seu stock,
quero comprar mais mas estou barrada.

Quero abraçar-te sem noção
de estar a dar-te todo o meu covid,
quero beijar-te sem noção
de estar a oferecer-te um convite
à maca e à solidão.

Mas agora há a obrigação do medo,
jamais poderá ser em segredo,
os amores mais permitidos são agora proibidos.

No meu caso pouco muda,
o meu amor será acumulado
e nunca entregue,
como um eterno medo de te passar um vírus
mesmo que sejas tu quem mo tenha passado.
Deste-me, mesmo distanciado e
por mais voltas, por mais giros
que dês à mente,
não imaginas a pandemia,
e sinceramente,
não me alivia
saber que lavar as mãos não me fará bem definitivamente...

Dantes sem medos, mandava sempre uma carta
que voltava por falta de entrega ao destinatário.
Mas, sem receio,
mandava novamente, em diferente horário,
mas seria assim eternamente,
então poupei o selo e o carteiro.

Agora continuo a escrever,
não precisas saber, só acumulo,
aquilo que no fundo,
sabes que não consigo esquecer.

terça-feira, 10 de março de 2020

Tradutora

Dizem ser lindo.

Identificam-se com algo que,
sendo difícil de descrever,
era o que realmente sentiam.

Como uma tradução da dor.
Que doía e não sabiam,
mas ao ler entendiam
que o amor
estava desperdiçado.

Dizem ser lindo,
ser talento,
juntar palavras para falar das dores,
como fazemos com os doutores,
o que também podem ser palavras ao vento.

A tradutora não é doutora,
ela não sabe curas,
nem sabe se quer ser curada.
Ela só traduz, não faz mais nada!

Vale a pena sofrer
para saber traduzir
o que outros gostarão de ler?
Mais vale fingir,
sem dar a perceber,
tirando ideias de traduções passadas,
tristezas arrumadas,
mofadas.
Ou essas são notadas
e então não apreciadas?

A tristeza tem vindo
e em vez de nos fazermos de mortos,
a abraçamos,
queremos saber quem é,
adicionar no facebook,
convidamos para tomar café,
admiramos o seu look,
falamos de casamento
e de filhos até.

Sim vários caberão na tradução,
vários são os corações que anseiam 
o click para agir
de acordo com um post, aposto.

Aí entra a responsabilidade.
A distância da ponta da ponte
ao fundo do oceano é um passo.
E que ideia eu passo?
A de quem se suicidará em breve?
Não me conhecem.
Eu estou em constante reconstrução da ponte.
O forte é esse.
O que usa martelo e pregos,
não o que usa haltéres.
Sou assim, não me alteres.

Usa t-shirt, assim não arregaças as mangas.
E nada de traduções livres.
Gosto das literais,
não me venham com tangas.
Sei muito bem quando me tentam enganar
com traduções ao lado.
Não dêem uma de Google
que acha que tudo compra,
que é tradutor.
Inteligência artificial hã? 
Mas não entende nem investiga
os motivos do autor.
Uma boa tradução tem muito que se lhe diga,
ainda mais quando se trata de amor.

domingo, 1 de dezembro de 2019

Não hoje


Um dia vais-te esquecer de me acenar,
e achar que ao me ignorar tens mais a ganhar,
mas não foi hoje.

Um dia vou querer trabalhar e não poder,
um dia vou gritar e ninguém me vai socorrer,
mas não foi hoje.

Um dia, eu sei,  vou-te perder,
e em seguida vou perder as forças para viver,
mas ainda não foi hoje.

Um dia vou-me esquecer de respirar,
e vou lembrar ao coração para parar,
mas não foi hoje.

Um dia não terei nenhuma razão para estar contente,
um dia vou ficar só e dependente,
mas não hoje.

Um dia a minha cama sentir-se-á traída
por uma caixa de madeira e uma coroa florida,
mas não vai ser hoje.

Então o hoje está a ser perfeito.

Enquanto o dia não vem não acabou.

domingo, 16 de junho de 2019

Definitivamente

Quando feres
mostras que preferes
não pensar no que dizes,
e dizes o que talvez nem pensas,
mas a tua língua quer golpear.
Acha que deixa menos marcas que uma bofetada.

Pensas ser mais educado
do que quem mata à facada.

Como estás enganado!
Tua boca é tão mais afiada!
E não me dá só um golpe,
és desilusão que faz tabela no cérebro e no coração
e deixa cair aos poucos
o véu da minha cegueira que cobria os teus erros
e enterra a minha reputação.

Deixo a ingenuidade e tomo uma ação.

Não baixo mais a cabeça perante uma declaração.
Eu tenho valor,
e a minha palavra ainda tem mais.
Mas é um valor que tu não podes pagar.
Não há empréstimos a pedir,
não há jogos a ganhar.

Perdeste e perdeste definitivamente.

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Gouveia's day

Sei que é um dia especial hoje
e que quer estejam no fundo do mar,
na terra ou no ar,
nunca estarão demasiado longe.

Obrigada por permitirem-me seguir de perto
este casamento quase maior de idade.
Desejo que continuem sempre a ser o vosso oásis no deserto,
que a alegria em vocês fique viciada
e que nada mude a vossa felicidade,
ou que apenas possa ser aumentada.

O sangue não está nas veias,
mas eu estou cá, num trabalho de estreias,
fazendo um pouco de tudo pelos Gouveia.
Com novos desafios, novos aprendizados,
onde orgulho e riso são meus aliados.

Sei a sorte que tenho.
E espero assim continuar.
Eu sempre venho,
não se preocupem se eu viajar.

quinta-feira, 9 de maio de 2019

A morada é a mesma.

Trás a noite,
que ela esqueceu-se de surgir.
Ela esperou por ti.
Teimaste em não vir...

Já está assim por alguns meses.
O sol está gasto,
como o cérebro, que pouco descansa.
Faz da vida uma dança
emparelhada com as trevas internas,
que são as que aparecem.
E o excesso de luz exterior,
mesmo em pleno dia soalheiro, as arrefecem.

Não há calor que me aqueça.
Estás longe,
e assim dificultas a minha circulação.
Não há ninguém que me mereça,
então insistem em vão.
Só espero por ti
e pela tua escuridão.

A morada é a mesma.
Ainda te lembras, não é verdade?
Vem logo que possas,
e diz-me quando vens à cidade.
Para que eu possa contar cada dia,
como um prisioneiro esperançoso da liberdade.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Quarentena

Se és um vírus
vou já desinstalar o meu antivírus!

Demasiada protecção
tira o gosto do perigo.
Dá-me atenção!
Ouve o que eu te digo!

Desativei todos os meus escudos.
Atirei ao mar todas as minhas armas!
Nos oceanos mais fundos
não vão disparar ou causar dramas.

Desativei a consciência
para poder te amar.
Vou deixar assim até reiniciar.

Se amanhã estiver de quarentena...
Paciência!
Valeu a pena.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

O tempo tem a razão

Fui para a mesma mesa.
Talvez não a mesma,
mas no mesmo canto.
Não fiz o mesmo pedido.
Não tinha dinheiro para tanto.

Lembro de certas frases,
risos, olhares,
que ainda hoje levanto
da memória para me visitares.

É a forma possível,
uma forma invisível
para comigo estares.
E fazes-me rir,
mesmo sem pestanejares.

Fazes-me sentir
especial sem o pronunciares.
Fazes-me também mal
mesmo sem falares.

Porque faz-me mal recordar,
mas faz-me mal esquecer.

Faz-me mal saber
que já não sabes respirar,
já não sabes sorrir,
já não sabes amar.

Mas acho que será pior
deixar a tua memória mofar
só para não pensar.

Algo que eu nem conseguiria realizar.

O tempo ajudará,
o tempo tem a razão,
e ele saberá levar a dor
mas não a recordação.

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Acidente

Naquele acidente
fiquei viva por acidente.

Neste outro acidente
de colisão de corações,
onde morre-se facilmente,
também sobrevivi.

Recupero gradualmente
de tudo o que vivi
a teu lado, indiferente
a tudo o que senti
e deixei crescer.

A semente errada,
que fui aconselhada
a fazer morrer
tornou-se adulta,
mas infrutífera
e chegou a altura
de a cortar com moto-serra.
E deixo o toco,
mas não lhe toco,
e tu não cresças,
não apareças,
ou trituro-te a raíz
e acendo fogo.

Agora quero deixar morrer,
não por acidente,
mas por uma necessidade urgente.

sábado, 1 de dezembro de 2018

O teu lar

Era mais fácil dizer adeus.
Não quero sofrer,
não quero mais os teus
olhos nos meus sonhos.
Não quero mais o teu sorriso
no cérebro que não és dono.

Era mais fácil odiar.
Nunca deste razão para esperar,
nunca deste sinal de me amar.

Enterrei gatos, enterrei cão,
actualizei o cartão de cidadão,
mas nunca instalei a raiva e o rancor
por alguém a quem esperei
por um mínimo ato de amor.

Mudei de emprego,
de penteados,
de carros,
mas não mudei os sentimentos,
ainda que entretida com a vida.

O Inverno marcou sua presença,
e Outono, Primavera, Verão...
Mas não verão,
nenhuma estação,
em que chegues e, mesmo sem pedir licença,
venhas para o teu lar: o meu coração.

Seria fácil dizer para ficares,
seria difícil nessa hora,
como em qualquer outra,
pedir para não me procurares.
E se houver essa tentativa
só o perdão me invade
e se ainda me encontrares viva,
saberás que ainda não é tarde.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Os teus olhos









Ele tem o mar nos seus olhos.
Mar esse onde eu mergulho sem medo de perder pé.
Mar esse que me orgulho de ser acariciada por cada maré.

Todos os mares são reféns,
da mistura de azuis que tens!

Ficam como eu, indefesa
perante os oceanos, teus escravos.
E até o céu te suplica um pouco de turquesa
quando perde os seus encantos.

Tu tens todos os lagos,
as lagoas, as piscinas!
Afogo-me em ti e assumo os estragos
dessa beleza que me assassina.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Na miséria

A vida é minha amante,
e como amante recebe jóias, cheques
em troca de breves instantes.
Não é meu cônjuge,
não temos uma vida a dois,
nosso dia-a-dia não é trocado por sms,
e mesmo depois,
no fim de um dia desgastante
ela só exige o pagamento,
pois deixou tudo num restaurante,
e se eu quiser mais um suspiro
terei de pagar-lhe um montante.

Sei que é por interesse,
e já nem sei se a amo...
Roubo horas à minha almofada
e trabalho duro para mimá-la,
espero um carinho à chegada,
mas estou a estragá-la.
Essa mente vazia impossível de encher,
só sabe esvaziar-me e eu fico a ver.

Roubo tardes de domingo em família
invento desculpas, reuniões de emergência,
tudo para socorrer sua excelência!

Cumpro todos os caprichos da atrevida,
é desta que ela me recompensa?

Vou mudar de vida.
Talvez ela ame à sua maneira
mas não levará mais nada de mim, que estou na miséria.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Overdose

O que é droga?
Algo que vicia?
Depende da quantidade...

Algo que alucina?
Depende da intensidade...
Mas de ti só tive
uma pequena amostra
e o resultado está à mostra:
Uma viciada lunática
dependente do independente.
E como sou simpática
elegi-te meu presidente.

Chefe do meu estado,
sou a tua nação.
Quer queiras quer não,
comandas o meu estado de espírito,
direccionas o meu livre arbítrio
como a mais fiável bússola.
Decides onde eu devo ir
mas nunca levo cola
para me colar a ti.
Nosso dealer trata das encomendas
nas épocas de ausência.
Mas nada se compara à experiência
de te ter a dois metros de distância.

Se soubesses o quanto tudo é suficientemente insuficiente...
Com o tempo é normal ter de subir a dose,
mas cada pessoa é diferente
e eu reconheço o perigo de cair em overdose.

Então mantenho-nos saudáveis.
Porque saudade sem saúde
é o que nos ilude.